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Papo de gente grande

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DSC03694Um “homem” por de trás do menino. Sim, mesmo com 14 anos, Fábio encara o diabetes com uma tranquilidade que pouco se vê em adultos que passam pelo mesmo problema.

“Descobrimos que o Fábio tinha diabetes muito cedo, quando ele tinha pouco mais de 1 ano”, nos conta sua mãe, Regina. Diante dos sintomas e da preocupação natural de mãe, Regina procurou um médico. Ela lembra: “Quem atendeu o Fábio foi o Dr. Juan, em Taubaté. Um exame foi feito e a glicemia do Fábio estava altíssima, 480mg/dl”.

“O susto não poderia ser maior”, lembra Regina. Com o diagnóstico, foram encaminhados ao Dr. Israel, em São José dos Campos, especialista em Endocrinologia Pediátrica. “Que médico maravilhoso, ele cuida até hoje do Fábio”.

Fábio é o filho caçula dos 3 filhos que Regina tem com seu marido Paulo. E desde que foi diagnosticado com Diabetes Tipo 1, conta com a ajuda da família para driblar os problemas.

Fábio nos conta: “Desde pequeno, sempre levei uns puxões de orelha da família, mas eram poucos já que levava a sério o tratamento”.

O gesto positivo da mãe, ao balançar a cabeça, mostra que Fábio falava a verdade. “Sempre ensinei que ele deveria entender o que estava acontecendo com ele”, nos conta Regina. Como é importante a participação da mãe e da família na aceitação da doença e na atitude positiva frente a uma situação até então irreversível.

Por ter Diabetes Tipo 1 Fábio faz uso de insulina diariamente. Relata que com 6 anos já sabia aplicar a insulina: “Acho que foi nessa idade, não é mãe, tinha 5 ou 6 anos quando comecei a me cuidar”. Quando o assunto foi atividade física, o Fábio nos disse: “Eu sempre pratiquei esporte, gosto demais, antes era futebol, agora gosto de natação”.

Outro ponto legal do papo com o Fábio foi quando conversamos sobre a fase escolar. Ele conta que os colegas de escola são “gente fina”. “Nunca ficam me oferecendo doces e lanches, sabem que eu não posso”. A mãe orgulhosa disse: “Ele é o mascote da escola, todo mundo cuida dele”. Mas nem tudo é perfeito e Fábio lembra uma ocasião em que teve uma crise durante as aulas. E nessa hora, fala com orgulho do irmão que ensinou a professora como socorrê-lo: “Meu irmão explicou o que ela deveria fazer porque eu estava no chão, sem força”.

Mais liberdade

Agora que está na adolescência, Fábio diz que tem mais liberdade. Nessa hora a mãe diz que ele merece mais uns puxões de orelha. Pergunto o porquê e ela relata que ele anda comendo mais doce que antes. Ele diz: “Antes eu era pequeno e pedia pra ela, porque não alcançava o pacote. Agora eu consigo alcançar” – muitas gargalhadas. Mas logo na sequência diz que sabe quando pode, já que aprendeu a contagem do carboidrato. A mãe reconhece que o Fábio é responsável.

Fábio participou do Núcleo de Diabetes do Laboratório CEDLAB no ano de 2012, mas deixou de participar na metade do programa. Ao perguntarmos o motivo, ele nos disse: “Me senti um pouco deslocado, já que a maioria das pessoas que participavam eram adultos. Acho que me daria melhor se o grupo fosse só de jovens, como eu”. Para seu alívio, estamos atentos a isso e em breve teremos novidades.

Para concluir, lhe pedimos que deixasse um conselho aos jovens que, como ele, têm diabetes: “Apliquem a insulina de forma correta, façam boa alimentação e pratiquem esportes”. O doce Fábio, na sua tranquilidade, demonstrou que é gente grande quando o assunto é SUA saúde.

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Autor: Dra. Alexandra Manfredini

Diretora Laboratório CEDLAB

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