Informativo Vida Saudável

Nunca é tarde para mudar

83 de 180

Certas pessoas têm o dom de compartilhar experiências e mostrar que podemos fazer mudanças, mesmo que a nossa personalidade, às vezes, “jogue contra”. Vamos conhecer a história do Orlando Costa Junior e ver como vale a pena abandonar certas opiniões para viver com saúde e qualidade.

Nascido em São Paulo, Orlando nos conta que teve um início de vida difícil: “Até os 16 anos, morei com meus pais na favela do Cangaíba, Zona Leste da cidade”.

Com o tempo, a situação começou a mudar e por motivo de trabalho, Orlando e sua família mudaram para a região da Barra Funda. “Por causa da proximidade com o Palmeiras, comecei a jogar futebol pelo time de várzea do clube. Como foi bom. Foram 8 anos jogando pelo Palmeiras”. A vida de atleta estava decolando, mas um acidente interrompeu tudo. “Durante um jogo, sofri uma lesão num choque com o adversário e tive que realizar uma cirurgia nas costas. Não consegui mais jogar depois do acidente”.

Mas isso não abalou a vida de Orlando. “Parei de jogar e comecei a trabalhar na TELESP. Lá conheci minha primeira esposa com quem fiquei casado por 29 anos e tive três lindas filhas: Tatiana, Natasha e Ludmila”. Quando o assunto são suas filhas, nosso entrevistado se derrete para falar delas. Fez questão de mencionar a formação de cada uma e compartilhar alguns projetos em que estão envolvidas. Que pai coruja!

No ano de 2000, decidiu morar no Japão, durante 1 ano, para trabalhar e juntar dinheiro. Além disso, sua esposa gostaria de conhecer seus parentes e origens. Mas foi justamente durante sua viagem que o diabetes resolveu dar as caras: “Foi nessa época que comecei a sentir fortes sintomas. Mas, era cabeça dura. Minha esposa disse que poderia ser diabetes, mas não liguei, deixei pra lá”. Esse “deixar pra lá” durou alguns anos.

Nesse momento, Orlando nos contou do histórico familiar de Diabetes. Sua avó e seu pai tinham diabetes. Diz que a doença da avó era bem controlada, mas que o pai, por fumar muito, não controlava e vivia tendo crises.

O tempo passou e novamente a vida sofreu mudanças. Em 2007, já vivendo o segundo casamento, decidiu procurar um médico a pedido da esposa. “A contragosto fui ao médico e fiz os exames, mas não retornei logo. Só depois de 6 meses é que retornei”. Querem adivinhar os resultados? O médico disse que os exames estavam muito alterados e que teria que interná-lo. E para surpresa de todos, ele disse: “Não dei a menor importância”.

Uma hora a vida cobra! Passaram-se 6 meses e os sintomas se agravaram de uma maneira que não poderia mais controlar. Quase não enxergava, chegou ao limite da doença. Nesse momento, pensou: “Ou cuido ou morro”. Orlando decidiu voltar ao médico e aceitar ajuda para controlar o diabetes, e também cuidar de outros problemas de saúde.

O médico pediu que procurasse um endocrinologista – Dra. Eliana Ashar. Começou a tratar o diabetes. Passou a tomar medicamentos, mas fazia tudo errado. “Parecia que eu lutava contra, ainda não aceitava a doença que tinha. Quantos picos de hipoglicemia eu tive!”.

Em 2011, decidiu participar do programa para controle do diabetes de seu convênio. Ali começava a mudar sua visão quanto à doença que tinha. “Gostava da preparação física, do trabalho em equipe. Estava mudando meus hábitos. Caminhada duas vezes por dia”. Mas, como todos nós, Orlando tinha um “Calcanhar de Aquiles” – a Alimentação. “Foi a maior dificuldade que encontrei. Gostava de tomar refrigerante, comer doces, ir ao McDonald’s. Não conseguia obedecer às orientações”.

Em 2013, já não aguentava mais morar em São Paulo e decidiu procurar novos ares. Por causa da família da esposa que era de Lorena, veio para o Vale do Paraíba e escolheu Pindamonhangaba para continuar a vida. Só que as mudanças não foram só rosas. Os novos ares causaram complicação ao diabetes “Sempre tive problemas quando o emocional não ia bem”.

Um dia, encontrou a revista Vida Saudável, umas das publicações do CEDLAB e leu sobre um grupo de tratamento para diabetes. Procurou a unidade do Centro e decidiu participar da palestra de apresentação. Viu que era a solução dos seus problemas. Procurou o SUS e fez a inscrição no centro de especialidades.

“Decidi que era hora de mudar. Precisava abandonar minhas ideias erradas, meu modo de ver e tomar decisões. Eu queria me cuidar, de verdade”. Orlando, desde o começo, colocou em prática o que estava aprendendo e viu os benefícios de fazer da maneira correta, não dá forma como achava ser correta.

Só que a alimentação continuava sendo o maior problema. E agora? Quanta alegria sentiu por encontrar uma equipe de nutrição bem preparada – relata. “Todas as orientações que me passaram foram excelentes. Elas me ajudaram a substituir o que gostava por coisas ainda melhores. As refeições continuaram a ser motivo de prazer, agora mais saudável”.

Hoje, os resultados dos exames mostram a evolução que teve: De 12,1 de hemoglobina já está em 8. E a meta é chegar a 7,5. “Sou grato a todos os profissionais do grupo que têm me ajudado a cada dia a melhorar. Por causa do programa, voltei a caminhar duas vezes ao dia, por mais de 2 horas”.

Como é bom saber que o Orlando está bem. E também por ver que não existe idade para mudar. Aos 65 anos percebeu que era hora de renovar, de deixar para trás os traços de personalidade dura. Era hora de viver, com saúde e muita alegria. Que seu exemplo nos motive a fazer mudanças, especialmente para aqueles que não querem controlar seu diabetes da maneira correta!

Para encerrar, deixa um conselho a todos que têm diabetes: “Aceitem a doença, é fundamental. Depois, procure ajuda porque sem ajuda não conseguiremos controlar o diabetes. E por último, faça o tratamento”.

,,,,,

Autor: Dra. Alexandra Manfredini

Diretora Laboratório CEDLAB

Menu: