Informativo Vida Saudável

“Meu trabalho é meu tratamento”

102 de 180

DSC03481Mal chegou para ser entrevistada e já começou a contar do paciente Carlos, que acabara de atender:

“Encontrei um homem cabisbaixo e triste, por causa do diabetes. Mas pouco antes dele saí, percebi um semblante feliz, alguém com esperança renovada”. O que será que motivou esse homem? Depois de conhecer a Juliana, teremos a certeza que a resposta vem por meio da sua história de vida.

Juliana é mais uma a ser surpreendida pela doença. Nascida e criada em Jacareí, conviveu com o padrasto, a mãe e a irmã. E, como todos nós, tinha sonhos e planos. Mas, como um castelo de areia, tudo desmoronou: “Um fato em minha vida mudou tudo que estava planejando, causando um trauma com consequências pesadas”. Juliana acredita que esse fato tenha causado seu diabetes.

“Fui diagnosticada com diabetes aos 30 anos. Em 10 dias senti todos os sintomas: dores nas pernas, vontade de urinar, sede excessiva… De repente perdi a visão e, como trabalhava no hospital, fui ao pronto socorro”.

A glicemia da Juliana estava em 732 mg/dl. “Foi um susto, estava muito alta”, acrescenta. Foi medicada e encaminhada para observação. Retornou para casa e logo procurou o médico especialista. Novos exames foram realizados e a confirmação do diagnóstico – Diabetes Tipo 1.

“Não aceitei a doença! Como uma pessoa saudável poderia desenvolver uma doença como o diabetes? Não fazia sentido para mim. Essa dúvida pairou sobre minha cabeça por muito tempo, levando-me a sentimentos de profunda tristeza. Cheguei a questionar a Deus”.

Mesmo não aceitando a doença, topou iniciar o tratamento. “Passei a usar insulina, tomando uma injeção por dia”. O tratamento seguiu e em um determinado momento ela conta que foi chamada pela médica. Ela pensou: “Vão mudar o meu tratamento, acredito que não tomarei mais insulina”. Para sua surpresa a mudança seria aumentar o número de injeções diárias para quatro. Um balde de água fria!

O tempo passou – que bom que passou – e pessoas começaram a fazer diferença na sua vida, ajudando a mudar sua forma de pensar, o que a fez encarar com menos sofrimento sua doença. “Conheci a Dra. Renata Calderaro que me ajudou a conviver melhor com a doença, mas ainda com muita tristeza”. Num segundo momento, diz que também recebeu ajuda de outras duas pessoas: Maristela, presidente da AJD e Jussara, instrutora da Sanofi. E foi a partir daí que começou uma nova etapa em sua vida.

Um passo à frente

“Recebi o convite para trabalhar como instrutora de diabetes pela Sanofi”. Um desafio que teria de enfrentar. Até pouco tempo não aceitava a doença, agora teria que servir de exemplo às pessoas. Mas como?

“No primeiro dia de trabalho fui recebida por uma colega, de nome Gloria”. Ela perguntou: “Você tem diabetes?” A resposta da Juliana foi sim. Foi então recebida com um feliz “Seja bem-vinda”.

Que surpresa! Todas suas colegas de trabalho eram diabéticas, como ela. Mulheres lindas, mães, pessoas saudáveis. Ao se deparar com essa situação viu que não estava sozinha, que poderia encontrar forças na convivência com pessoas que passavam pelo que ela também passa.

Aquilo foi o combustível para Juliana entender que não, não era ela o problema, havia muitas mulheres na mesma condição. Percebeu que tinha duas escolhas: Ficar em casa brigando com Deus e se perguntando “por que com ela” ou aceitar a doença e seguir em frente, agora cuidando e sendo exemplo. Comenta: “Passou um filme na minha cabeça, então pensei: Vou ser triste ou feliz com o Diabetes? Quer saber, vou ser feliz”.

Que excelente escolha. Por compartilhar da sua história com outros mostra que sentimentos ruins são normais, mas que podemos encontrar alívio, basta querermos. Também, que a ajuda de pessoas é de extrema importância, em qualquer estágio da doença.

Para concluir, deixa a mensagem: “Encontrei forças para lidar com o diabetes ajudando outras pessoas. Cada um encontra uma forma de lidar, por isso, aceite o diabetes e siga em frente”.

,,

Autor: Dra. Alexandra Manfredini

Diretora Laboratório CEDLAB

Menu: