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Dois é bom, três não!

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DSC03580“Dois é bom, três não”. Como assim Lucas? Criança tem dessas coisas e como o assunto é controle do Diabetes, essa simples ideia mostra o tamanho de conhecimento que, mesmo pequeno, uma criança pode ter. Quer entender?

Lucas é mais uma, entre várias crianças, que precisa lidar com a diabetes. E mesmo na sua inocência, consegue viver bem, contando com a ajuda da sua mãe e de familiares.

Queila, a mãe do Lucas, nos conta como foi o começo e o diagnóstico: “Ele demonstrava sintomas desde cedo, mas eu não levava em consideração”. Ela conta que os sintomas que Lucas demonstrava eram os mais comuns: “Ele sentia dor de cabeça, muita fome, sede e urinava muito”. A avó do Lucas vivia dizendo que ele tinha diabetes, mas a mãe tentava afastar qualquer hipótese.

Até que chegou o dia em que o Lucas teve sintomas mais acentuados. Ela nos conta: “Era um sábado e o Lucas urinou muito e poucos minutos depois pediu para usar de novo o banheiro”. A avó logo percebeu e pediu para a filha medir a taxa da glicose. Não deu outra, 181 mg/dl foi o resultado.

“Mesmo com o resultado, não dei importância, talvez porque não queria aceitar”. No domingo, dessa vez em jejum, fez novamente o exame. O resultado foi 195 mg/dl. ”Fiquei apavorada”, diz Queila. Conta que pegou o Lucas e procurou o posto de atendimento do seu bairro, onde foi medicado e ficou em observação.

“Voltei a fazer o exame da glicemia no Lucas e dessa vez o resultado foi 270 mg/dl”. Com a taxa alta, Queila levou imediatamente Lucas ao médico. No posto o resultado foi maior, 371 mg/dl de glicemia. A partir de então Lucas teve que conviver com a insulina. “Os primeiros sentimentos, depois desse diagnóstico, foram tristeza e choro.”

No começo, Queila ficou com tanto medo que passou a seguir o filho em todos os lugares e momentos. Sabia que cuidaria dele dentro de casa, mas tinha medo das pessoas e do que elas poderiam dar a ele, na escola, por exemplo.

Mas um fato tornou-se o divisor de águas na vida dos dois. Ela nos conta: “Um dia tentei aplicar a insulina no Lucas e ele não deixava. Foram várias tentativas e não conseguia aplicar. Até que disse: Chega! E que teríamos que resolver aquela situação. Dei a injeção na mão dele e, para minha surpresa e alegria, ele aplicou sozinho”.

Queila entendeu que precisava ensinar o filho a se cuidar e a entender a doença que tinha. Ela afirma: “Melhor educar do que viver na sombra da criança”. Isso foi realmente muito importante para a aceitação do Lucas e da Queila.

Uma nova fase

Hoje o Lucas aplica sozinho a insulina e ajuda sua mãe a medir a glicemia todas as manhãs. Também aprendeu a dizer não quando oferecem algo que sabe que irá lhe fazer mal. “Fomos a uma festa de aniversário e ele perguntou à moça que servia o refrigerante: É diet? Isso me deixou mais tranquila, pois sei que ele sabe o que pode ou não comer”.

No começo a hemoglobina do Lucas estava em 7,8%; agora, com o acompanhamento da equipe do Núcleo de Diabetes, está em 4,8%. Isso mostra que o diabetes está sob controle.

“Agradeço a ajuda da escola e dos educadores do Núcleo de Diabetes do Laboratório CEDLAB. Aqui as pessoas aprendem a se alimentar de forma correta, o que podem e o que não podem comer, o efeito da insulina e a importância de aplicá-la regularmente e nos horários corretos”. Ela fez questão de agradecer à Dra. Cassia Furtado, médica endocrinologista, que acompanha o Lucas em seu tratamento.

Que lição aprendemos dessa história! Mais do que cuidar é preciso educar.

Mas, e o dois é bom, três não? Todas as manhãs, quando vai medir a glicemia, Queila nos conta como Lucas sabe se está tudo OK: “Ele olha no aparelho e vê se tem três dígitos ou dois. Se tiver dois, está bom, três não”. A explicação é que o nível normal da glicemia em jejum é 99 mg/dl.

“É isso mesmo Lucas?” Pergunto. E com a alegria e inocência de uma criança de apenas cinco anos responde que sim, e sai para brincar, como qualquer criança feliz.

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Autor: Dra. Alexandra Manfredini

Diretora Laboratório CEDLAB

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