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Descaso com a doença causa graves sequelas

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O depoimento sincero de quem não acreditou que o Diabetes é uma doença séria que exige informação e tratamento

Vânia Veloso Garcia, 55 anos, casada com Roberto Garcia e mãe de Roberta e Paula Garcia. Professora de biologia e há 22 anos diabética. Vânia poderia ser mais um de nossos personagens, que passam pelo Núcleo, ganham experiência e comemoram somente as conquistas, não fosse o descaso pela doença, que a levou a perder a visão. Hoje, mais consciente, dá exemplo de que sempre é tempo pra aprender e recomeçar.

Quando foi diagnosticada com diabetes, Vânia tinha 33 anos e levou um susto. Acreditava que a sede excessiva e o fato de urinar bastante, eram “coisas normais”. Ela conta que na época não se tinha muita informação, o que dificultou o cuidado e o tratamento.

A história de Vânia é uma mescla de falta de informação e falta de cuidados. Quando soube da doença, ficou muito revoltada, disse que nunca tomaria insulina, tinha medo de ficar viciada. “Eu fiquei muito revoltada e não queria tomar insulina, porque todos diziam que se começasse a tomar não ia parar mais”, comenta. Ela salienta que gostava muito de doce e, por causa do diabetes e da restrição em comer açúcar, passou a comer o dobro.

A inconseqüência fez com que Vânia fosse internada diversas vezes, e mesmo diante dos sustos que levava por causa do descontrole do açúcar no sangue, não seguia a dieta indicada pelo médico. A tal ponto, que chegava a fingir que fazia o tratamento correto, só para enganar a família e não sofrer cobranças. “Eu me negava a participar de palestras, reuniões, me negava a ter informação correta, eu fugia de tudo isso, eu queria fazer as coisas da minha maneira”. Entre idas e vindas a hospitais, Vânia levava uma vida desregrada e sem fazer exercício físico. “Tudo naquela época era muito difícil, os alimentos diet eram muito caros, eu não tinha muita informação e, além disso, não conseguia fazer exercício físico, minha vida já era tão corrida, que achava que só isso bastava”.

A parte mais triste desse histórico de falta de cuidado, é que há 6 anos, durante o casamento da filha, Vânia levou um susto. “Comecei a perder a visão. No início comecei a enxergar tudo rosa e depois de ir pra casa e dormir, acordei na manhã seguinte sem enxergar”. Ela teve um derrame vítreo e procurou um oftalmologista. Conta que o Dr. Ricardo Puppio, com base no diagnóstico inicial e nos sintomas apresentados, indicou uma cirurgia de urgência no Hospital do Servidor em São Paulo. Tarde demais: teve descolamento da retina no olho direito, perdendo praticamente toda a visão, passando só a enxergar alguma claridade com o olho esquerdo.

Começava aí uma nova fase na vida de Vânia. Ela começou a entender a doença, que pode ou não causar seqüelas, dependendo do cuidado do paciente. “Nunca achei que isso fosse acontecer comigo. A perda da visão é uma coisa muito triste, não sei nem explicar, parece que ficamos tão só, mesmo com a presença da família”.

O arrependimento vem em forma de lembranças, da vida que tinha e das coisas que fazia. “É muito complicado você fazer de tudo e de repente não poder mais ler nem escrever, não poder mais mexer nas coisas, dá um medo, as limitações, você não pode mais sair na rua, é como se você estivesse presa dentro de você mesma”. A partir desse momento, Vânia começou a encarar a vida de forma diferente. Todos os dias enfrentaria um desafio, pois desejava continuar fazendo tudo o que fazia, mas não seria possível. “Eu negligenciei demais o tratamento do diabetes e o resultado foi à perda da liberdade de fazer todas as coisas que gostava”. Ela comenta que sente falta dos amigos, que a abandonaram após o problema. “Eu perdi muitos amigos, que se afastaram depois que tive todos os problemas, gostaria de tê-los de volta, conversar, sinto muita falta deles”, salienta.

Apoio no Núcleo de Diabetes

No auge de todo o problema, o Núcleo de Diabetes surgiu na vida de Vânia. Foi lá que ela começou a encarar a doença de forma diferente e a valorizar o trabalho dos profissionais. Como a convivência no grupo, Vânia aprendeu também a importância da troca de informação e, principalmente, da troca de experiências. “Eu tento aprender todos os dias, foi muito importante à presença das pessoas, eu ficava ouvindo as informações, e aprendi muito. Assim pude me conscientizar ainda mais, principalmente com o trabalho em grupo”.

E a partir daí, a família que muitas vezes, havia sido ludibriada, agora passou a ter um papel fundamental no tratamento. “Minha família foi de extrema importância, principalmente, enquanto fiz os transplantes de pâncreas e rins. Eles estavam lá ao meu lado, eu não tinha forças para superar tudo que acontecia naquele momento. Na hora que eu precisava chorar eles me ouviam e me apoiavam. Até hoje fazem isso. Eu agradeço muito a Deus pela minha família”. Vânia também faz questão de agradecer a todos os profissionais que a ajudaram a superar as sequelas da doença, fazendo uma menção especial ao Dr. Ricardo Puppio, que a acompanhou as cirurgias e hoje, cuida de toda a família.

Com informação e acompanhamento médico, Vânia deu início a uma nova fase, mais consciente e responsável. Agora sim, acreditando nas orientações médicas e no trabalho desenvolvido pelos profissionais que fazem parte do Núcleo. Fez curso de informática para deficientes visuais e segue tentando aprender a cada dia, recuperando a autoestima e mostrando que é possível sempre aprender com os erros e recomeçar. “Hoje eu tomo insulina, mas em menos quantidade, me alimento com produtos dietéticos e não sinto mais tanta vontade de comer doce”.

E depois de tantos obstáculos Vânia deixa um conselho para quem tem diabetes: ”Não faça como eu, não negligencie a doença. A informação e o cuidado com a saúde, são as melhores armas contra a doença. É preciso acreditar nos profissionais. Não fujam da doença, vá ao médico e se cuide, para não ter que passar o que eu passei”, conclui.

Vania e marido

 

Autor: Dra. Alexandra Manfredini

Diretora Laboratório CEDLAB

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